O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional lamenta que o atropelamento de um agente da PSP na noite de sábado venha a “manchar” a imagem dos guardas prisionais, e reage com estranheza ao facto de o suspeito já ter sido condenado, mas não exemplarmente, por conduzir embriagado.

Opresidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional lamenta o caso do guarda que atropelou um agente da PSP e caracteriza esta morte como “uma vergonha que mancha a imagem dos guardas prisionais”.

O agente da Polícia de Segurança Pública, António José Pinto Doce, de 45 anos de idade, morreu no sábado à noite, em Évora, na sequência de um atropelamento por um homem que violentava a mulher na rua. O suspeito é um guarda prisional do Estabelecimento Prisional de Sintra, que foi detido e será presente a um juiz esta segunda-feira.

Os guardas prisionais, representados pelo sindicato, dizem-se “envergonhados e espantados” com o caso. Jorge Alves, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, revela à TSF que se opõe ao tratamento dado ao suspeito em 2017, quando foi condenado por condução sob o efeito de álcool, ficando a trabalhar durante a semana num estabelecimento prisional e a cumprir pena de prisão aos fins de semana. “Não é muito normal. Fazendo aqui uma comparação: nós tivemos um caso agressões de guardas profissionais fora do ambiente de trabalho. Na altura, o diretor geral demitiu-os – e esses processos ainda decorrem em tribunal pela demissão pública -, considerou que houve quebra de confiança. E depois temos esta situação desta pessoa que, segundo parece, por conduzir sob o efeito do álcool, durante um ano ou quase um ano, trabalhava à semana em Sintra e ao fim de semana ia cumprir pena de prisão em Évora.”

Jorge Alves sublinha o histórico do guarda prisional detido. “Já foi de Setúbal para Sintra por causa dos problemas que causava devido à bebida alcoólica”, afiança.

Entre os guardas prisionais, o sentimento é de “vergonha”, também pela fuga do suspeito após o atropelamento. A direção geral dos serviços prisionais abriu um processo disciplinar ao guarda prisional, mas Jorge Alves acredita que o acontecimento deixa uma “mancha mais internamente, ou seja, temos mais nós essa vergonha, que somos guardas prisionais”.

“Como nós não nos revemos neste tipo de atitude, neste ato cobarde que levou à morte de um colega das forças e serviços de segurança, tem sido geral [o sentimento de] muita vergonha em relação a isto. Uma pessoa que veste a mesma farda que nós e que teve esta atitude, que tirou a vida a um colega, a um marido e pai… Nós lamentamos profundamente a situação, porque não nos revemos nisto. Nenhum de nós, dos que são profissionais.”

Na perspetiva do sindicalista, a “atitude cobarde de atropelar e fugir do local” vem demonstrar a necessidade de reavaliar um meio “com muita pressão e muito stress”, de dar formação e ferramentas para adaptação ao stress, bem como de recorrer a uma avaliação periódica aos trabalhadores da guarda prisional, de forma a determinar e impor tratamentos “a estas pessoas”.

“Isto é uma coisa com que temos lutado muito e a direção geral tem evitado discutir. O sindicato, ao longo destes anos, tentou que se criasse um mecanismo para de alguma forma fazer uma avaliação frequente dos profissionais da guarda prisional, tendo em conta a área em que exercemos funções”, assinala Jorge Alves. “Na altura, o doutor Celso Manata criou a Casa Amarela, dizendo que era para os bêbedos e para os drogados, até denegrindo a imagem daquele que devia ser o centro de competências”, acusa ainda.

O presidente do sindicato que representa os guardas prisionais defende que a direção geral tem feito uma “navegação à vista”.

“Parece que estão sempre à espera de que os guardas cometam erros para depois agirem disciplinarmente”, lamenta Jorge Alves, que acrescenta que, ao estarem “muito próximos dos reclusos”, os guardas possam inconscientemente “adquirir certos comportamentos”. É chegado o “momento de a direção geral olhar a sério” para o problema e retirar do corpo de guarda prisional quem o possa prejudicar, fundamenta.

Fonte:https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/vergonha-que-mancha-imagem-dos-guardas-prisionais-homem-que-atropelou-agente-da-psp-ja-tinha-sido-condenado-13136266.html