Covid-19. Portugal continua a não ter reclusos infetados nas prisões

Há seis pessoas infetadas, entre assistentes técnicos, guardas prisionais e enfermeiros no sistema prisional. E registaram-se nove recuperações

A mulher de nacionalidade brasileira de 36 anos apanhada pela GNR a entrar a pé numa zona proibida na fronteira de Caia com cinco mil doses de cocaína, no final do mês de março, foi infetada com covid-19. A reclusa foi colocada em isolamento total num espaço da enfermaria do hospital-prisão que foi criado de propósito para fazer face à pandemia. Mas duas semanas depois, novos testes ao novo coronavírus deram negativo e acabou por ser transferida para outro estabelecimento prisional.

Mais de dois meses depois do primeiro caso registado em Portugal de covid-19, não existem reclusos infetados nas prisões portuguesas. A informação foi confirmada pelos serviços prisionais ao Expresso esta sexta-feira. O caso da mulher brasileira acaba por não contar para esta estatística pois tratava-se de alguém que tinha sido infetado no exterior.

Os serviços prisionais revelaram ainda que existem seis pessoas com o novo coronavírus, entre guardas, pessoal administrativo e enfermeiros. E ainda nove doentes recuperados.

Desde 11 de abril, saíram quase dois mil reclusos das prisões (1222 ao abrigo do perdão de penas e 692 com licença administrativa extraordinária). Há uma semana, foram ainda indultados 14 presos pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa. Os pedidos de libertação foram concedidos por “razões humanitárias” e o processo “visa proteger a população prisional mais frágil”, explicou a ministra da Justiça Francisca van Dunem.

Ao libertar reclusos em final de pena, ou os mais idosos e doentes, o Governo quis evitar a propagação do novo coronavírus no interior do sistema prisional, como aconteceu em prisões de outros países.

De acordo com a Agência France Press, em abril, o Governo francês libertou mais de seis mil reclusos. Já o Reino Unido libertou perto de 4 mil presos a quem lhes restava cumprir dois meses de pena. A Suécia adiou a execução de sentenças para evitar novas prisões.

Vários reclusos e guardas morreram em Itália, Reino Unido e Espanha.

Fonte:https://expresso.pt/sociedade/2020-05-08-Covid-19.-Portugal-continua-a-nao-ter-reclusos-infetados-nas-prisoes