Estado ignora três anos de alertas sobre cadeia da Carregueira

Sindicato denuncia vegetação alta junto à prisão em Sintra.

Os guardas da cadeia da Carregueira, Sintra, têm vindo a denunciar à direção daquele estabelecimento prisional, nos últimos 3 anos, por escrito, o perigo do crescimento das zonas de mato em redor daquela infraestrutura, avisando que esse facto podia colocar em causa a segurança do espaço (propiciar fugas ou ataques à cadeia) e até potenciar incêndios, o que acabou por acontecer na quarta-feira.

A denúncia foi feita ao CM pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP). “Nunca nada foi feito. Foram ignorados os avisos feitos pelos guardas”, explicou Jorge Alves, presidente do sindicato. Os alertas não tiveram resposta dos Serviços Prisionais, que dependem do Ministério da Justiça.

Segundo Jorge Alves, “há zonas em redor da Carregueira onde o mato já chega a metro e meio de altura”.

A torre 4, que sabe o Correio da Manhã está fechada desde o fim de semana, está envolta em mato alto. No momento em que começou o fogo, pelas 14h00 de quarta-feira, apenas um recluso ali trabalhava.

Recebeu ordens para instalar holofotes LED para iluminação interior e exterior da prisão e, ao que tudo indica, algumas fagulhas do trabalho de soldadura terão ateado um fogo que depressa se descontrolou.

As chamas causaram cinco feridos – dois são bombeiros, um dos quais ficou em estado grave – e obrigaram a retirar 50 pessoas de casa, na Venda Seca. Não houve danos na cadeia.

Pormenores
Cadeias aguardam
Fonte oficial da Direção-Geral dos Serviços Prisionais disse ao CM que esta entidade aguarda que “as autoridades responsáveis pela investigação do fogo, apurem as respetivas causas”.

400 bombeiros
A rapidez com que o fogo avançou pela serra da Carregueira levou, na quarta-feira à tarde, à rápida mobilização de 400 operacionais de diversos corpos de bombeiros do concelho de Sintra e ainda cinco meios aéreos.

Vento protegeu prisão
A proximidade das chamas às instalações da cadeia da Carregueira e até do quartel do Regimento de Comandos chegou a gerar alguma apreensão em ambos os locais. No entanto, o forte vento que se fazia sentir fez evoluir o fogo em direção oposta às duas instalações.

Fonte:https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/estado-ignora-tres-anos-de-alertas-sobre-cadeia-da-carregueira