Guardas prisionais apreendem ‘fortuna’ em cocaína em Custoias

No último sábado, dois reclusos foram apanhados com 100 gramas de droga, o equivalente a 50 mil euros.

Uma “fortuna” em cocaína que, caso não tivesse sido intercetada, renderia cerca de 50 mil euros, foi apreendida a dois reclusos dentro do Estabelecimento Prisional do Porto – Cadeia de Custoias, em Matosinhos.

As apreensões decorreram durante o final da semana e, de acordo com as primeiras informações recolhidas pelo i, sabe-se que a primeira operação interna decorreu no sábado, resultando na apreensão de 50 gramas de cocaína em bom estado de pureza. A situação obrigou os reclusos a esperar pela habitual visita de domingo, que servia para conseguirem mais droga – neste caso, mais 50 gramas para colmatar a apreensão da véspera. No entanto, a segunda dose foi novamente confiscada. No total foram apreendidos 100 gramas, cujo valor atrás das grades é cinco vezes superior ao praticado na rua. Segundo fontes policiais, a droga renderia cerca de 50 mil euros.

Sabendo que aos fins de semana há mais visitantes que nos dias úteis, os operacionais do Corpo da Guarda Prisional da Cadeia de Custoias apostaram nas revistas a reclusos e às visitas.

A cocaína terá sido introduzida no espaço prisional na vagina de mulheres de reclusos, dificultando assim a sua deteção prévia.

Para ultrapassar o facto de as visitas serem maioritariamente femininas e nem sempre ser possível uma revista pormenorizada, os guardas prisionais estiveram particularmente atentos às movimentações das visitantes nos seus contactos diretos com os reclusos. O controlo incidiu, aliás, nas revistas aos próprios reclusos, quando estes já regressavam às celas.

Foi assim que, no sábado, os guardas prisionais surpreenderam um recluso e, face a essa “baixa” de droga, surgiu uma nova “encomenda” com a mesma quantidade: 50 gramas. A nova encomenda surgiu logo no domingo, mas foi também colocada fora de jogo pelos guardas prisionais do Estabelecimento Prisional do Porto.

Familiares pagam cá fora O esquema detetado aponta o pagamento da droga entre familiares dos reclusos aos seus fornecedores, isto é, às visitantes que entram com os estupefacientes. Conhecidas por “mulas”, compete apenas a essas mulheres introduzir cocaína ou heroína na vagina. Depois de ter sido recebida pelo recluso traficante, à medida que chega ao recluso toxicodependente, é paga de imediato – muitas vezes, até antecipadamente – por familiares próximos desses mesmos detidos, que por sua vez encarregam as “mulas” de colocar a droga nas cadeias.

O tráfico de droga para dentro dos estabelecimentos prisionais é muito mais rentável, já que, como sucede com os telemóveis, por exemplo, o preço dos estupefacientes – não só da cocaína e da heroína, mas também do haxixe – é, em média, cinco vezes superior ao que se pratica na rua.

Cada dose custa 50 euros Para se ter uma ideia concreta do valor destas duas últimas apreensões em Custoias, basta referir que cada dose de cocaína (um décimo de grama) facilmente é vendida por 50 euros, enquanto, em liberdade, um toxicómano consegue a mesma porção de droga por dez euros.

No mundo prisional, um grama de cocaína custa 500 euros e não 50 euros, como cá fora. Vendido a preços finais, cada grama rende dez doses e cada uma destas porções é paga a 50 euros (e não a dez euros, como fora da prisão), pelo que os 100 gramas apreendidos representariam uma média de mil doses a 50 euros cada, com o valor total de 50 mil euros.

Fonte:https://ionline.sapo.pt/653305